SONETO DO GATO

 

Um gato vivo é qualquer coisa linda
Nada existe com mais serenidade
Mesmo parado ele caminha ainda
As selvas sinuosas da saudade

 

De ter sido feroz. À sua vinda
Altas correntes de eletricidade
Rompem do ar as lâminas em cinza
Numa silenciosa tempestade.

 

Por isso ele está sempre a rir de cada
Um de nós, e ao morrer perde o veludo
Fica torpe, ao avesso, opaco, torto

 

Acaba, é o antigato; porque nada
Nada parece mais com o fim de tudo
Que um gato morto.

 

Florença, Novembro de 1963

 

(Vinicius de Morais, Livro de Sonetos)

 

Os deuses felinos egípcios

 

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A mais antiga deusa felina conhecida é chamada de Mafdet e é representada nos textos das pirâmides matando uma serpente com suas garras. Mas os deuses-gatos mais famoso são Bastet e Sekhmet.

Bastet é representada frequentemente com o corpo de uma mulher e a cabeça de um gato. Os egípcios adoravam Bastet como a deusa da casa e protetora das mulheres, das crianças e dos gatos domésticos. Era também a deusa da alvorada, da música, dança, do prazer, da família, da fertilidade e do nascimento.

Sua contraparte má era a deusa Sekhmet que representava a força destrutiva. Era conhecida como a deusa da guerra e da peste. Mas foi domesticada por Ra (que começou a domesticá-la fingindo de bêbado) e se transformou em protetora poderosa dos seres humanos.

Juntas, Bastet e Sekhmet representam o contrapeso das forças da natureza.